O que é o DRM?

O sistema de radiodifusão DRM (Digital Radio Mondiale) foi concebido por radiodifusores para radiodifusores com a assistência e participação de fabricantes de receptores e transmissores bem como outras partes interessadas como os organismos reguladores. Foi concebido como um substituto digital de alta qualidade para a actual radiodifusão analógica nas bandas AM e FM/VHF para que possa ser operado com as mesmas atribuições de canais e espectro que são actualmente utilizados.

Este quadro apresenta uma visão geral das bandas de frequências onde o DRM opera.

Operational frequency-bands

O padrão DRM descreve uma série de diferentes modos de operação, que estão divididos em dois grupos:

  • modos DRM30 que foram concebidos para utilizarem as bandas de radiodifusão em AM inferiores a 30 MHz,
  • modos DRM+ que utilizam o espectro de 30 MHz até à banda III VHF, centrado na banda de radiodifusão II FM.

O DRM inclui as recomendações requeridas pela União Internacional das Telecomunicações (UIT) que permite o apoio regulamentar internacional para a realização das transmissões. O principal padrão DRM foi publicado pela Comissão Electrónica Internacional (IEC) e Instituto Europeu de Normas de Telecomunicação (ETSI) embora o ETSI seja o principal repositório de toda a gama dos actuais padrões técnicos do DRM.

Além da capacidade de se adaptar aos requisitos do espectro existentes, o sistema DRM beneficia igualmente do facto de ser um sistema aberto. Todos os fabricantes têm acesso livre aos padrões técnicos completos e podem conceber e fabricar equipamentos numa base equitativa. Tal demonstrou ser um mecanismo importante para garantir a introdução de novos sistemas no mercado enquanto se acelera a redução do preço dos equipamentos. Estas são considerações significativas para os radiodifusores e ainda mais para os ouvintes que precisarão de investir em novos receptores prontos para DRM.

Principais características do sistema:

o sistema foi concebido para permitir que as novas transmissões digitais coexistam com as actuais radiodifusões analógicas através da quantificação dos parâmetros de funcionamento que proporcionam a compatibilidade analógica/digital. Tal permite que a transição da radiodifusão analógica para a radiodifusão digital seja efectuada por fases durante um período de tempo para que os radiodifusores existentes possam espalhar os seus investimentos no sistema DRM,

além disso, e ao contrário de alguns dos outros sistemas digitais, o sistema DRM foi concebido para permitir que os transmissores analógicos adequados sejam modificados para transitarem facilmente entre radiodifusões digitais e analógicas. Tal reduz de forma significativa o custo de investimento inicial para um radiodifusor,

uma vantagem orçamental adicional pode ser a redução dos custos energéticos de transmissão,

  • DRM explora as propriedades de propagação exclusivas das bandas AM. A introdução dos serviços de DRM30 permite a um radiodifusor proporcionar aos ouvintes uma qualidade de áudio melhorada de forma significativa e fiabilidade do serviço. Consequentemente, os radiodifusores internacionais podem proporcionar serviços em onda curta e onda média que são comparáveis aos serviços locais em FM enquanto melhoram a experiência dos ouvintes com uma sintonização mais fácil e serviços de valor acrescentado. Tal também se verificará com os radiodifusores locais e nacionais em ondas médias e longas,
  • nas bandas VHF, o DRM+ pode ser configurado para utilizar menos espectro do que as actuais radiodifusões estereofónicas em FM proporcionando os benefícios de uma robustez aumentada, potência de transmissão reduzida e/ou cobertura aumentada,

DRM é único no que diz respeito ao fornecimento de uma ampla variedade de modos de operação e técnicas que permitem aos radiodifusores adaptar o sistema para atenderem às necessidades dos seus mercados específicos. O DRM permite igualmente a selecção independente de parâmetros de modulação (taxas de código, constelação, intervalos de guarda, etc.),

DRM também suporta o funcionamento de redes de frequências única e de multifrequência (MFN/SFN) e a transferência para outras redes (AF). Esta última característica permite a um radiodifusor que opere em várias plataformas diferentes, passar um ouvinte do DRM para AM, FM ou DAB e de volta para DRM. A sinalização adequada é suportada intrinsecamente pelo DRM e DAB e portadores de dados em AM e FM (AMSS e RDS, respectivamente),

um sistema único entre os vários serviços de dados é o Electronic Programme Guide do DRM (EPG), que proporciona aos ouvintes, receptores adequados para terem acesso ao programa de radiodifusão e definirem períodos de gravação em conformidade,

DRM tem sido operado com sucesso em níveis de potência que variam entre alguns watts em 26 MHz e várias centenas de quilowatts em onda longa. É possível utilizar o padrão técnico para proporcionar uma cobertura que vai desde a cobertura nacional (c.1000 km) à comunidade local (c. um raio de 1 km),

por fim, há três codecs de áudio MPEG4 incluídos no padrão que fornecem uma vasta gama de débitos binários e conteúdos de música e de voz.

Contexto: o Consórcio DRM

O Consórcio DRM (Digital Radio Mondiale) é uma organização internacional sem fins lucrativos constituída por radiodifusores, fornecedores de rede, fabricantes de transmissores e receptores, universidades, uniões de radiodifusores e institutos de investigação. O seu objectivo é apoiar e desenvolver um sistema de radiodifusão digital adequado para ser utilizado em todas as bandas de frequências até e incluindo a banda III VHF. Existem actualmente 93 membros e 90 apoiantes activos no Consórcio oriundos de 39 países.

O DRM foi criado em 1997 em Guangzhou, China e o seu objectivo inicial era digitalizar as bandas de radiodifusão em AM até 30 MHz (ondas curtas, médias e longas). A Especificação do Sistema DRM para a radiodifusão inferior a 30 MHz (DRM30) foi publicada pela primeira vez em 2001 pelo ETSI. Na sequência desta Especificação, uma série de padrões de apoio auxiliares foram emitidos, incluindo um Protocolo de Distribuição e Comunicação. Em 2005, decidiu-se alargar o sistema DRM para incorporar modos concebidos para operarem nas bandas de radiodifusão em VHF. Tal requereu o adicionamento de modos de alta frequência que, após o aperfeiçoamento através de ensaios de laboratório e ensaios em condições reais, originaram a publicação da actual especificação (alargada) do DRM que se designa por ES 201 980 v3.1.1.